quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Meu Porto...

No dia de hoje cheguei a meio do estágio, a partir de agora o tempo está sempre a decrescer, faltam apenas três semanas e meia, 18 dias.
Não digo que não esteja a gostar, pelo contrário. Posso dizer que está a correr bem, apesar de não ter tido muito feedback. Tenho tido uma noção, uma ideia diferente daquela que tinha. Uma ideia mais realista, mais verdadeira e, infelizmente mais triste. Tenho visto coisas que, à alma mais sensível, fariam logo chorar. Mas pronto, neste curso há que aprender a digerir certas coisas, certos comportamentos, certas visões, há que ter uma determinada insensibilidade. Não digo que os TO’s sejam insensíveis, é exactamente o oposto, acho o curso muito humano, muito atento a todas as necessidades de tudo e todos, e à melhor forma de compensar essas mesmas necessidades e défices.  
Por outro lado, posso dizer que as saudades do meu Porto começam a apertar. Saudades das pessoas, da faculdade, dos “olá tudo bem”, dos “então como andas pa, quando vamos praxar?”, dos “bora para os matrecos!”, das festas (sim, borga!), das passagens pela Ponte da Arrábida, ver a Foz do lado direito, e o Douro do lado esquerdo, serpenteando por entre a Ribeira e o Cais de Gaia, dos Leões, do Piolho, da vista da D.Luis. Ai que saudades… =/ =$


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Changes

There're some changes I need to do
Gotta change myself,
Gotta change my onw personal thoughts,
Gotta find a new me,
Need to grow up,
Need to be less self centered, 
Need to be less egocentric, 
Need to stop being a kid, 
Hope that i can do it,
For you, for me, for us, 
For our own sake... =/



É triste...


           Estagiar num lar de idosos fez-me ver as coisas mais claramente, no seu real, na sua forma crua e fria. Ver as pessoas, as interacções, as patologias, as visitas, toda uma constelação de coisas para as quais é necessária uma certa insensibilidade por parte dos profissionais de saúde para conseguir suportar. 

         Uma destas coisas é, com certeza, o envelhecimento. Pensar que todos nascemos com algumas competências, competências estas que vão sendo apreendidas ao longo do tempo: o primeiro olhar, o primeiro sorriso, a primeira palavra, o primeiro passo... Coisas lindas de se ver, quanto a isso não haja dúvida. Mas ver o processo inverso a este referido.., tem que se lhe diga. Ver uma pessoa vivida, com mil e uma histórias para contar,  perder todas as suas competências, desde o andar, ao saber lavar-se, vestir-se, alimentar-se, esquecer-se do que vai fazer, esquecer como realizar uma tarefa que costumava fazer diariamente, custa. Custa-nos a nós, profissionais de saúde,  mas também com certeza à pessoa em si também. Todo aquele sentimento de ineficácia, de impotência,  de "sinto-me um estorvo", é ,certamente, indiscernível, a não ser que se esteja a passar pelo processo de envelhecimento. =/

             Mas outra coisa que, confesso, ainda mais me custa observar, são as visitas aos utentes dos lares. Quer dizer, vêm as (supostas) famílias visitar o idoso, e nem sequer se dirigem para o jardim,  estando um dia lindo, com sol, no qual só há vontade de sair e ver a beleza das coisas? Que famílias são estas, que vêm ao lar apenas pela imagem, apenas pelo medo de os outros comentarem "se eu não for ver X pessoa vão falar mal de mim, pensar que sou isto ou aquilo"? Famílias que, quando estão com os pais, mães, avós, patos, galinhas, kangurus, o que quer que seja, nem sequer se dignam a olhar a pessoa nos olhos, a ter uma conversa minimamente decente, algumas das quais se limitam a pintar as unhas enquanto lá estão?!
É uma visão revoltante, no mínimo...
É triste...